Se tiver de apostar entre duas tecnologias concorrentes, não hesite: vá pela mais divertida.
Alguém aí pode gostar de trabalho – cri… cri… cri… -, mas dificilmente alguém se sente mais confortável, convenhamos, num tipo de ambiente formal e monótono que sempre caracterizou os ambientes de trabalho do que se sente em casa ou entre amigos. É notável a transformação dos ambientes de trabalho em ambientes divertidos, informais e confortáveis (com isso, parece, tendem a diluir-se também as barreiras psicológicas entre trabalho-vida pessoal e, bem, as pessoas parecem aceitar a idéia de que têm de trabalhar o tempo todo. Mas isso é outro assunto…).
Então, ok, trabalho é chato. Diversão é legal. Vamos analisar embates recentes, apostas tecnológicas que, vencedoras, valeram fortunas:
iPhone vs. o resto
O iPhone, lembremos, entrou no mercado já com o Blackberry bastante consolidado, e com outros players fortes como Nokia. E hoje ocupa uma fatia de mercado incrível, comparável à da RIM, em torno dos 20% e, provavelmente, com mais lucratividade por usuário. O suposto coolness das coisas Apple e a devoção dos macmaníacos explicaria o sucesso? Bom, me parece que já deve haver bem mais donos de iPhone do que de Macs. No Brasil, pelo menos, daria isso como certo – há uma intersecção importante entre esses dois grupos, mas longe de um grupo (macmaníacos) conter o outro (donos de iPhone) -. Agora analise a AppStore, seus mais de 100 mil aplicativos. Uma maioria imensa de jogos ou aplicativos solenemente inúteis. Não sei por quantos meses o iFart, sim, isso mesmo, o iFart, foi o aplicativo mais vendido na AppStore dos EUA. Diversão, sabemos, é um conceito subjetivo. Então, se o iPhone tem algum papel em melhorar a produtividade do seu usuário, se ele é “útil”, em algum momento, há de ser, assumo, em proporções deveras tímidas. O pouco que faz de útil, de “trabalho”, faz com cara de diversão, amenizando o nosso trauma de infância roubada. Essencialmente, é um brinquedo. Já vi alguém, durante o expediente, lançando seu iPhone para a frente, e então trazendo-o lentamente para si enquanto rodava o dedo na tela: estava enrolando a carretilha – era um jogo de pesca – . Minutos depois, havia 3 outras pessoas fazendo o mesmo, numa cena, para mim, um bocado insólita.
Um adendo aqui: o Android vai ultrapassar o iPhone em mercado em um curtíssimo prazo. Aposto meu reino nisso, mas é assunto para outro texto.
Mac vs Windows
Ok, agora o Windows 7 é melhor e mais moderno que o Snow Leopard, chorem à vontade. Mas, é notório, desde o lançamento do Mac OS X a Apple tinha a dianteira no sistema operacional. É desnecessário comentar, por exemplo, o fiasco que foi o Vista. Por que então, depois de tantos anos contando com o sistema mais elegante e eficiente, seu hardware cheio de estilo e bem projetado, o ganho de mercado da Apple foi tão limitado? É claro que isso não quer dizer que a Apple não obteve sucesso, eles ganham dinheiro demais vendendo hardware, sua pequena fatia de mercado gasta muito mais dinheiro que os demais, paga por estar no clube. Mas o fato é que ainda há uma hegemonia absolutamente incontestável do Windows. Há uma série de explicações possíveis, e para cada mercado elas têm maior ou menor peso.
- Os preços da Apple, por exemplo, são absurdamente exagerados no Brasil mas, com alguma condescendência, digamos que são competitivos no mercado norte-americano.
- Há menos opções de hardware, não há competição entre tantos fornecedores baixando os preços, etc. E o monopólio que a Apple mantém sobre o hardware necessário para adentrar seu clube privé é a chave de seus lucros, então não adianta esperar qualquer mudança por aqui.
- A ladainha de sempre: incompatibilidades com as coisinhas do mundo corporativo, pacote Office e congêneres… Isso sempre foi apenas parcialmente verdadeiro.
Por fim, e aqui faço o meu recado, durante todos esses anos a nobreza dos felinos da Apple não encantou um mercado em particular: aquele dos jogadores. Mesmo a aberração do Vista era uma plataforma incomparavelmente superior a qualquer Mac OS, para jogar. Entre disponibilidade de títulos e eficiência no uso do hardware, a bela peça de engenharia que foi o DirectX – superior ao OpenGL já se vão anos, e cada vez mais superior -, nenhum adolescente, nenhum geek jogador tardio, nenhum verdadeiro aficcionado por jogos cogitaria dispor de seu Windows. E, veja, o adolescente jogador com suas espinhas é, em geral, a última palavra em tecnologia de qualquer família mediana. Jogos são legais, o Mac OS X pode ter seu coolness, pode ser o hipster dos sistemas operacionais, mas NÃO É TÃO DIVERTIDO QUANTO O WINDOWS. Engulam essa, macmaníacos.
Facebook vs outras redes sociais
Com seus mais de 300 milhões de usuários ATIVOS, o Facebook dá um banho em todas as outras redes. Qual é o grande barato? Foi pioneiro nos aplicativos, e os aplicativos, são, fundamentalmente, brincadeiras. Jogos. Eles têm Farmville e Mafia Wars. That’s it.